segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
A ESCRITA ...
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SEM PALAVRAS, VAMOS REFLECTIR SOBRE O PAÍS QUE TEMOS
SÓ NÃO SEI, SE ESTE É O PÁS QUE TEMOS OU QUE SOMOS.
A DIFERENÇA DO VERBO PODE SER FUNDAMENTAL
TER É ALGO QUE NOS DERAM, SER É ALGO QUE NÓS CONSTRUÍMOS....
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sábado, 26 de janeiro de 2008
MUTAÇÃO
Este Blog está em mutação de dossier de aprendizagem para OLHARES REFLEXIVOS.Este foi o nome que escolhi para dar ao meu Portfólio, que em breve servirá de avaliação na disciplina de formação em contextos de trabalho do VIII CCFE da ESEL pólo ESEMFR.
O Blog continuará a ter o mesmo endereço, mas em breve será só intitulado de OLHARES REFLEXIVOS.
CONTO COM O SEU OLHAR, TMBÈM POR AQUI.... REFLEXIVO CLARO ESTÁ.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
ANDRAGOGIA
Para educadores como Pierre Fourter (1973), a andragogia é um conceito amplo de educação do ser humano, em qualquer idade. A UNESCO, por sua vez, já utilizou o termo para referir-se à educação continuada..."
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
REPERSPECTIVAR !
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
AS FALSAS IMAGENS QUE PODEMOS TRANSMITIR....
QUAL O VALOR PEDAGÓGICO DO ERRO ?
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008
QUEM CUIDA DE NÓS?
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domingo, 20 de janeiro de 2008
EM CONTRACICLO COM OS ARAUTOS DA ENFERMAGEM EM PORTUGAL...
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sábado, 19 de janeiro de 2008
ALBERT EINSTEIN
Albert Einstein
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
E N F E R M E I R O
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
APREENDER COM O VIVIDO E DAÍ ALTERAR O FUTURO...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
OS MACACOS E AS BANANAS - O PORQUÊ DO QUE FAZEMOS...
Toda as vezes que um dos macacos começava a subir a escada, um dispositivo automático fazia jorrar água gelada sobre os demais macacos.
Passado certo tempo, todas as vezes que qualquer dos macacos esboçava um início de subida na escada, os demais o espancavam (evitando assim a água gelada). Obviamente, após certo tempo, nenhum dos macacos se arriscava a subir a escada, apesar da tentação.
Após vários espancamentos o novo membro desta comunidade aprendeu a não subir a escada, embora jamais soubesse porquê.
Um segundo macaco foi substituído e ocorreu com ele o mesmo que com o primeiro. O primeiro macaco que havia sido substituído participou, juntamente com os demais, do espancamento.
Um terceiro macaco foi trocado e o mesmo (espancamento, etc.) foi repetido. Um quarto e o quinto macaco foram trocados, um de cada vez, com intervalos adequados, repetindo-se os espancamentos dos novatos quando das suas tentativas para subir a escada.
O que sobrou foi um grupo de cinco macacos que, embora nunca tenham recebido um chuveiro frio, continuavam a espancar todos os macacos que tentassem subir a escada.
Se fosse possível conversar com os macacos e perguntar-lhes por que espancavam os que tentavam subir a escada ... Aposto que a resposta seria:
“Eu não sei – esta é a forma como as coisas são feitas por aqui”
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
A FORMAÇÃO REFLEXIVA DOS PROFESSORES: ideias e práticas
A autora deste artigo é reitora adjunta da University of Wisconsin- Masndison, docente da Sccoll of Education, como áreas de estudo é de referir Educação de Professores e Educação Primária.
O texto é uma elaborada dissertação do professor enquanto prático reflexivo. Começaria por dizer que em alguns aspectos poderemos traçar neste texto algum paralelismo entre o que o autor sugere para os professores enquanto práticos reflexivos e o que se impõe que sejam os enfermeiros, igualmente práticos reflexivos.
O autor enquadra muito a necessidade dos professores do seu estudo, no caso americanos, fazerem uma reflexão exterior a si próprios, no colectivo e que levem em linha de conta as questões sociais.
Em todo o texto a preocupação social é espelhada pelo autor, “também tenho desenvolvido esforços para promover a causa da profissionalização dos professores em paralelo com a construção de uma sociedade mais justa e decente”.
O movimento da prática reflexiva pretende, segundo o autor, que os professores sejam tidos em conta nas reformas a realizar e que as reformas surjam de dentro e para dentro das instituições de ensino, logo os professores têm que assumir um papel determinante no comando destas mesmas reformas. O desafio é deixado aos formadores dos professores durante a formação inicia, estes devem ter “ ….a capacidade de estudarem a maneira como ensinam e de a melhorar com o tempo, responsabilizando-se pelo seu próprio desenvolvimento profissional.”
O autor diz-nos que a reflexão implica, emoção e paixão, indo mais longe ao afirmar que os professores reflexivos “perguntam-se constantemente porque estão a fazer o que fazem na sala de aula”, julgo que este é o raciocínio problematizador, ou se quisermos reflexivo que norteia muitos dos enfermeiros portugueses. Mas também neste estudo os professores americanos revelam algumas limitações organizacionais e institucionais para a prática reflexiva “falta de tempo, alunos a mais, cumprir o curriculum, etc”. Tão bem se faz a comparação com aquilo que vamos ouvindo dos enfermeiros, - que tudo é impossível porque há muito trabalho, doentes a mais, enfermeiros a menos e uma série de coisas que têm que ser feitas, diria eu rotinas. Mas também aqui o autor citando Dewey se refere ao necessário “equilíbrio entre reflexão e a rotina, entre o acto e o pensamento”.
A prática reflexiva está naturalmente associada aos contextos da acção e gera autonomia, o momento para reflectir ocorre antes, durante e depois da acção. Só assim faremos análise crítica das práticas e discussão das mesmas. Esta reflexão faz-se individual e colectivamente sempre inserida num contexto social próprio.
O autor contudo também refere que muitas vezes o termo reflexão é abusivamente usado para “criar a ilusão de desenvolvimento dos professores”.
O professor reflexivo tem de ser um ser virado para o exterior, tem que ser um ser capaz de fazer análise social “não estou a pedir aos professores que se debrucem apenas sobre as consequências sociais e políticas do seu trabalho, mas simplesmente que incluam estas considerações no seu pensamento”, serem detentores de um projecto de intervenção que sustente o crescimento.
“O ideal é criar uma situação na qual os alunos-mestres se sintam à vontade para discordar dos seus tutores”.
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domingo, 13 de janeiro de 2008
CONTRIBUTOS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTÍNUA PARA A QUALIDADE DOS CUIDADOS DE ENFERMAGEM

Enfermeiro, Mestre em Ciencias da Educação
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sábado, 12 de janeiro de 2008
UMA AFIRMAÇÃO QUE NESTE BLOG PROCURAMOS CONTRARIAR...
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
NÃO DEIXES PARA AMANHÃ…
"Março de 2006…
Depois de, durante 1 ano, um grupo de enfermeiros e outros técnicos, em equipa, se terem preparado para cuidar de doentes em cuidados paliativos, no dia 6 de Março iniciamos a nossa caminhada,
todos muito conscientes do desafio que era,
iríamos ter connosco pessoas a morrer
e que tinham direito a que lhe proporcionássemos uma morte digna.
O que é que nos esperava?
Será que íamos conseguir?
A intensidade com que vivemos cada minuto do primeiro dia, era tal, que para nós era como se estivéssemos a viver o primeiro dia do resto das nossas vidas.
A partir daquele dia uma parte de nós tinha a grande responsabilidade
de receber a pessoa na maioria das vezes para morrer
e de transformar esses últimos dias de vida
nos primeiros com direito obrigatório
a uma assistência digna para uma morte tranquila.
Depois de todas as hipóteses curativas serem esgotadas
Eis que chegam até nós…
Cansados do sofrimento
Esgotados por não conseguirem ser donos dos seus dias
Fartos de não poderem fugirem da impotência dos médicos
Assustados por não saberem afinal quantos dias lhes restam
Mas com a certeza de serem muito poucos
Horrorizados por pensarem naquela dor que os acompanha
desde que lhe disseram
Você vai morrer de cancro…
Completamente perdidos no meio de um pântano sem cordas
Pois a sua família vai ficar sem hipóteses de sobrevivência
Habituados a paredes brancas
As enfermarias de 6 camas
As pessoas a gemerem sozinhas na cama ao lado
A terem as suas famílias do lado de lá do corta-vento
Á correria dos profissionais que não têm tempo de parar
Para lhe fazer companhia
Para os ouvir
Para lhe dar a mão
E aqui estamos nós…
Prontos a cuidar destes doentes
O que é que vamos fazer?
Aliviar-lhe o sofrimento:
Para a dor damos o analgésico
Para a agitação a sedação
Para o vómito o antihemético
Para a dor d`alma damos a mão
Claro que sabemos que a maioria destas pessoas
Vão morrer connosco
Claro que sabemos que não podemos
Fazer parar o percurso da doença
Mas também sabemos que a qualidade de cuidados
Que temos para lhes oferecer
Transpõe toda e qualquer perspectiva da cura
Com a D. L..... a D. F...... e respectivas famílias, iniciamos a nossa caminhada.
Seres humanos desesperados,
Com histórias de vida carregadas de recordações.
Sofrimento estampado nas caras.
Pedidos de socorro, conscientes que não teriam resposta por estarem a morrer.
Famílias perdidas, histórias por resolver, sentimentos por partilhar.
Medo do desconhecido, certezas de estarem a terminar.
E nós?
Profissionais de saúde com a prática de curar.
E agora, o que é que nos era pedido?
Por favor tirem-me as dores!
Por favor não quero vomitar mais!
Por favor, ela está com falta de ar!
Por favor tirem-me este sofrimento!
E nos olhares perdidos dos familiares, pedidos de socorro...
Por favor não a deixem morrer ainda!
Por favor, eu quero-lhe dizer que…!
Por favor salvem-na!
E nós?
Nós vamos tirar-lhe as dores.
Nós vamos parar-lhe os vómitos.
Nós vamos tratar-lhe dos sintomas que lhe causam sofrimento.
Mas também estamos aqui para os ajudar a unir as mãos mesmo em silêncio.
Diga-lhe tudo o que ainda não teve oportunidade de dizer…
Diga-lhe que perdoa…
Diga-lhe que a ama…
E nós…!
Para além de cuidadores…somos seres humanos!
A receber pessoas para, passadas poucas horas nos despedirmos…
A receber pessoas que nos fazem reviver alguma dor mal curada…
A receber pessoas que vamos palear, que nos enchem o coração e que quando partem nos deixam a chorar…
Os dias foram passando…algumas duvidas foram ficando…
Afinal não somos os donos da verdade.
Estamos no inicio da construção de um forte,
em que cada pedra usada
é uma descoberta fundamentada,
E que quando assente no chão
já passou pela reflexão de quem está consciente do que quer,
de quem está a fazer tudo para que esta obra embora ainda por muitos anos inacabada, seja digna de crescer com bases humildes e verdadeiras, sem perder de vista a grande missão a que nos propomos.
Como é que os doentes que partiram sentiram a sua morte, só os próprios saberão…
Se conseguimos…não sabemos…
Mas que sofremos…também sofremos…
As famílias…estão connosco.
Fizeram parte do nosso plano de cuidados, fizeram parte da nossa equipa prestadora de cuidados, e ficaram a fazer parte da família da nossa unidade.
Vêem em nós, neste momento tão especial das suas vidas, aqueles que estão imunes de juízo de valores, aqueles que estão aqui para ajudar, para ouvir, para esclarecer…
e para, no momento da partida, dar a mão se eles não chegarem a tempo.
Somos ainda muito bebés, somos ainda muito pequeninos, com um longo caminho pela frente…mas já recebemos tanto em troca do pouco que fizemos…
É um sorriso… de quem entrou a dizer “vou para os terminais”!
É ouvirmos “obrigada por me dar tanto carinho
“ não sabia que seria possível existir um sitio em que ainda nos tratam assim
É, no casal em que a esposa está a morrer, o marido querer-lhe satisfazer o grande desejo de casar pela igreja, querer faze-lo aqui e fazer questão que uma de nós os apadrinhasse…não conseguimos dar-lhe esse sacramento…ela não resistiu ao tempo, mas ele passou a tratar a enfermeira por madrinha de um anjo…
É, o marido de uma doente dizer para uma criança, filha de outro doente, “sabes minha querida, no céu existem os anjinhos que tem asas brancas, cá na terra existem estas senhoras vestidas de branco”…
É satisfazer-lhes os últimos desejos
E aqui estamos nós
Prontos a cuidar e a ser cuidados
Aqui passámos a viver a nossa vida de uma forma diferente
Quem aprende a viver a morte aprende a viver melhor
Cada minuto tem a intensidade de uma vida inteira
Ouvimos com outros ouvidos
Vemos com outros olhos
Podemos ter um longo caminho para percorrer na descoberta dos cuidados paliativos, e durante muito tempo termos que validar quase tudo o que fazemos uma centena de vezes, mas parece-me que dentro do nosso peito já mora a missão da nossa unidade… "
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
RESISTIR À MUDANÇA !
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DIÁRIOS DE APRENDIZAGEM – PROMOÇÃO DA REFLEXÃO NA PRÁTICA CLÍNICA
Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian (ESECG) (Braga), Enfermeira especialista em reabilitação, Pós-graduada em Ciências da Educação pela Universidade de Aveiro e Mestre em Ciências de Enfermagem pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Este artigo é um resumo do trabalho de investigação da autora no referido mestrado.
A autora descreve-nos um estudo realizado com alunos do curso de bacharelato em Enfermagem da ESECG sobre a importância dos diários de aprendizagem para o processo formativo ou se quisermos reflexivo. Sobre os detalhes do estudo vou-me escusar a referir a metodologia seguida, abordando neste pequeno texto, como será natural, mais as questões expositivas e criticas dos seus princípios e resultados.
Poderia resumir o artigo ao próprio resumo da autora “ Constatamos que os diários de aprendizagem motivam o esclarecimento de ideias ou acontecimentos confusamente experienciados, já que a escrita funciona como mediador da reflexão da acção. Bem como nos sugere que as experiências significativas, surgem a partir da observação e consciencialização das acções através da reflexão e ao promover a reflexão através da experiência, também favorece a articulação entre teoria e prática”pág. 12.
De imediato me apetece parar de ler e exclamar está tudo dito.
Conjugando saberes de textos anteriores, parece-me claro. Durante o percurso formativo existem espaços teóricos e práticos, é em espaços da prática, da acção, que melhor podemos reflectir sobre algo. E este algo não é nada em abstracto, mas sim aquilo que nos marca de uma qualquer forma, que nos marca durante a essência da nossa profissão – CUIDAR. Mas afirmarei, que nos marca pessoal e profissionalmente, que nos marca quando cuidamos um doente, ou quando observamos a prática de um já “Sr. Enfermeiro”, da postura de uma equipa, da delegação de competências noutros profissionais, etc, etc. E então a melhor forma para esclarecermos o vivenciado começa por ser escrevendo-o. Como já vimos a escrita confronta-nos connosco próprios, e é neste sentido que surgem os diários de aprendizagem como forma de confronto, de uma exteriorização de dúvidas despodoradas. Mas este é um diário algo diferente daquele que na adolescência ficava guardado e trancado com uma chave. Após o momento que os escrevemos foi porque tomamos consciência de algo, processo de “conscientização” já referido por Paulo Freire, a partir daqui temos algo de material e palpável para reflectir e para mudar o que houver a mudar. Julgo que estes diários levam à mudança do eu, do outro, se quisermos de um colectivo de uma equipa.
Enquanto Enfermeiros, quantas vezes, situações surgidas em estágio com alunos nos levaram também a nós a alterar comportamentos? Julgo que muitas. Os diários de aprendizagem são pela autora abordados sempre na perspectiva de crescimento de formando e formador, extrapolando julgo que somos diariamente formandos e formadores.
E em jeito de diário de aprendizagem, por neste momento ter no meu serviço alunos em estágio, e só estar na prestação efectiva de cuidados há 4 meses, após um interregno para funções sindicais de 7 anos, ontem tive necessidade de reflectir com a responsável da formação em serviço algumas atitudes perante o aluno em estágio e os objectivos destes. Apesar de não estar directamente com nenhum, sei que serei um exemplo e ao mesmo tempo serei desafiado. Portanto durante algum tempo reflectimos, após o confronto com a realidade sobre trabalho e métodos de trabalho, pausas, objectivos. Ou seja, sem o ter escrito, também eu tive necessidade de fazer o meu próprio diário de aprendizagem para sobre ele reflectir com alguém e perspectivar formas de estar e agir na prática.
Para a autora a reflexão como processo depende:
- Auto-regulação
- Expectativas de Eficácia
- Confrontação
- Análise critica
- Mudança
“O processo de reflexão é indispensável na caminhada destes estudantes, permitindo-lhes, nos contextos de trabalho, níveis progressivos de desenvolvimento e confrontos, num processo ainda não acabado, conduzindo-os para a autonomia, o desempenho livre e responsável da sua cidadania e actividade profissional” pág. 17
Limitava-me a provocar os colegas e a plagiar a autora transcrevendo a mesma frase substituindo “…destes estudantes …” por “dos enfermeiros”. O resultado seria este:
Sim, porque o nosso desenvolvimento terá que ser dinâmico logo inacabado e a autonomia algo conquistado no dia-a-dia através num processo também ele dinâmico de certificação de competências e de capacidade de tomar decisões reflectidas e justificáveis.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
DICOTOMIA ENTRE SABERES E COMPETÊNCIAS
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AUTOFORMAÇÃO EM CONTEXTO PROFISSIONAL
Maria do Loreto Paiva Couceiro tem o Doutoramento em Ciências de Educação (Dezembro de 2000). Especialidade "Educação e Desenvolvimento" na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL) e na Universidade François Rabelais, Tours (França). Investigadora da Unidade de Investigação Educação e Desenvolvimento (UIED), da FCT/UNL, sendo coordenadora do Sub-Programa "Autoformação e formação experiencial", desde 2001. Docente no Cursos de Mestrado "Educação e Desenvolvimento" da FCT e colaboradora do Mestrado"Formação de adultos" da FPCE da Universidade de Lisboa, sendo orientadora de dissertações de Mestrado e doutoramento. Foi co-responsável pela concepção, organização e execução do Mestrado "Formação e Desenvolvimento Sustentável", realizado no Brasil, no âmbito de uma Convenção entre a Universidade Nova de Lisboa e a Université François Rabelais de Tours, 2002- 2004. No âmbito da Profissionalização em Serviço foi Orientadora Pedagógica e responsável pelo Módulo "Desenvolvimento Curricular" na FCTUNL.
Texto publicado na Revista Formar, Abril de 1995, Nº 14 – págs. 6 a 15, Lisboa.
A autora dedica este texto à “Autoformação em Contexto Profissional”. Questiona o actual modelo de formação “clássica”, considerando-o limitador da própria formação, por fixar um tempo, um lugar e uma acção/actividade, não se coadunando com a própria evolução do trabalho, que apela a uma renovação contínua de conteúdos, o que deverá implicar uma renovação também contínua das modalidades de formação.
Alterar a forma de “fazer” formação está evidenciada no Livro Branco da Comissão Europeia sobre “Crescimento, Competitividade e Emprego”, em que apela “… a uma formação que seja catalizadora de uma sociedade em mutação.” (pág.7). E esta formação terá como objectivos “… o desenvolvimento das capacidades de evoluir e agir num ambiente complexo, de “aprender a aprender” ao longo de toda a vida, de reconstruir permanentemente conhecimentos e saberes.” (pág. 7). A isto se poderá chamar autoformação.
A autoformação é uma prática colectiva que interliga tudo aquilo que nos rodeia, levando em conta as nossas vivências e os saberes junto dos outros. Implica uma enorme responsabilidade na própria formação.
Autoformação e correntes que a definem quanto à sua finalidade (Galvani):
- A perspectiva técnico-pedagógica (auto instrução) – aquisição de novas técnicas e informações;
- A perspectiva sócio-pedagógica (auto educação) – aprendizagem de metodologias;
- A perspectiva bio-epistemológica (autoformação) – a acção reflexiva do Sujeito, em que “… é a pessoa, na sua globalidade, o objecto da formação.” (pág.9).
Independentemente da finalidade, na autoformação o lugar central é dado à pessoa adulta, desafiada a assumir-se como sujeito do seu processo formativo.
Citando Lerbet (1981) a autora afirma que a autoformação “… trata-se de um sistema vivo que estabelece trocas com o contexto onde se insere.” (pág.10).
Quanto às funções da autoformação, a autora cita Mezirow e Pineau apontando para três aspectos que se intercruzam:
- Instrumental (para agir no meio e nos outros);
- Diagonal (para comunicar);
- Auto-reflexão (para se compreender a si próprio).
O desenvolvimento da Autoformação carece de controlo e Carré evidencia três tipos que estão interrelacionados entre si:
- Pedagógico (métodos, recursos e circunstâncias da formação);
- Psicológico (motivações, necessidades e projectos pessoais);
- Sociopessoal (conscientização).
A personalidade e o percurso de vida de cada pessoa são aspectos fundamentais para a predisposição dos indivíduos se autoformarem.
Para que o processo de autoformação resulte, formando e formador têm que ter em linha de conta:
- Negociação e construção de um projecto;
- A experiência vivida por cada um;
- A reflexão para articular os dois processos anteriores.
Finalmente a autora dá-nos o exemplo de autoformação no seio de uma empresa onde afirma que “Promover uma mão de obra que pensa, reflecte, que é capaz de resolução de problemas e não mera executora, é apostar no potencial humano como recurso fundamental da própria qualidade e desenvolvimento da empresa.”págs. 13 e 14
Refere ainda que devem ser as próprias empresas a fomentar programas tendo em vista a dinamização da autoformação.
Com este texto entendo que a autora coloca em causa o modelo organizacional de muitas instituições no que diz respeito à formação, mas como estamos a falar de autoformação, não “poderemos sacudir a água do nosso capote”, diariamente somos confrontados com situações formativas, que só o são, se perante elas conseguirmos ter uma reflexão crítica, se interrogarmos, se investirmos.A reperspectivação é fundamental depois do acto reflexivo.
Ainda recentemente, numa situação de jejum de um doente para realização de um exame, este solicitou um pouco de água. A resposta mais corrente é não. Contudo a equipa decidiu reflectir….(até porque 30 minutos antes do exame administramos água com líquido de constaste). Para reflectir foi fundamental a pessoa em causa, a sua situação, o serviço, o território da acção. Reunimos saberes, partilhamos experiências, indagamos outros elementos da equipa multidisciplinar e reperspectivamos. Mudámos a prática naquele caso concreto. E como de pequenas coisas se constroem grandes mudanças, os passos continuam a ser dados no sentido da autoformação permanente, assente na reflexão e na grande vontade de continuarmos a ser “flexíveis, capazes de resolver problemas, de decidir e de agir num ambiente complexo” pág. 15.
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